Nunca pensei na minha vida que seria nutricionista, desde o colégio eu queria ser professor, fiz 90% de um curso de licenciatura mas senti que queria mais, não queria ficar ensinando em uma sala de aula, minha paixão veio a ser um hospital.
Para você que está chegando agora, Seja BEM VINDO(A), espero que esse humilde "caderno de anotações" se torne sua casa também, espero te ajudar de uma maneira que nunca me ajudaram, espero que minhas experiências contadas aqui abram teus olhos para o que as pessoas fazem dentro de uma universidade e sirva de inspiração para que muitos outros venham a público e contem o que passaram e o que passam em seus respectivos cursos e carreiras.
Eu tenho 32 anos, dos quais passei os últimos seis dentro de um curso que me manteve cativo e quase levou minha sanidade mental embora. Eu fazia Licenciatura em Pedagogia na UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) desde 2012, nunca fui um aluno ruim mas sempre fui de expressar minha opinião e isso me rendeu muitos problemas com colegas, professores e até com uma ex coordenadora de curso.
A característica dos cursos de humanas é ter um viés politico voltado a esquerda e quando chega um aluno que não é de esquerda, não concorda com o que eles pensam e tem conhecimento para debater com eles, qual a reação? Chamar de reacionário, de louco e fazer a pessoa perder credibilidade com os professores e com os colegas. Isso aconteceu comigo de 2013 até 2017.
Fui candidato a várias bolsas de pesquisas dentro do curso e sempre era preterido, nunca era chamado e a justificativa era a mesma "currículo". Falavam de mim pelas costas nos corredores, professores riam dos meus trabalhos, colegas chamavam de louco e uma monitora chegou a comentar com um porteiro do prédio "Todos sabemos que ele tem um probleminha na cabeça, só deixar falar sozinho que cala a boca".
Colegas nunca chamavam para trabalhos em grupo, eu não era incluído em grupo de whatsapp da turma, era sempre tratado com desdém e deboche tanto por colegas quanto por professores, aguentei isso por SEIS anos sem reclamar nada.
Vi colegas serem convidadas a fazer parte de grupos de pesquisas e serem selecionadas as mais variadas bolsas e eu sempre ficando para trás, sempre sozinho, sempre me sentindo humilhado.
Quando me envolvi com o DCE (Diretório Central dos Estudantes) em 2014 aí o desprezo virou ódio, eu além de um párea era também representante deles e ninguém aguentava a ideia de isso acontecer.
Em 2015 venci outra vez o DCE e foi quando eu vi que poderia fazer a diferença, lutei por adequações nas áreas da universidade, por inclusão para que as pessoas com deficiência tivessem acesso a suas aulas sem ter que implorar por um favor da reitoria. Funcionou.
Em 2017, não me envolvi com política estudantil mas ao invés de ser tratado como gente no meu antigo curso (Pedagogia) eu era hostilizado, mal tratado e taxado de louco, por levar inovação que era a área de "Pedagogia Hospitalar", de querer fazer o curso ser reconhecido por ter a primeira simulação temática das Nações Unidas totalmente voltada a discussão de temas educacionais, por querer ser um aluno diferente e não ser o puxa saco que estão acostumados.
Tive professora me expulsando de classe por ser filiado a partido político diferente do dela, de professor sutilmente sugerindo que eu fosse "fazer Enfermagem" porque lugar de pedagogo seria somente em sala de aula.
De colegas dizerem que não sabiam o porque de eu estar no curso e sugerir que eu abandonasse.
Em 2016 tive um dos trabalhos de pré TCC que são feitos em escolas ou locais não escolares, então escolhi um dos hospitais da cidade para desenvolver o trabalho, foi feita até uma reunião de colegiado para NEGAREM, pasmem, que eu fizesse o trabalho, foram no hospital e não sei o que aconteceu mas eu fui OBRIGADO a fazer em uma escola e tive um final de semana de prazo para entregar um projeto que se escreve em um semestre. Obvio que reprovei.
Em 2017, planejei que seria feito um trabalho em uma escola (resolvi render-me a eles) porem o tema seria um curso de "Primeiros Socorros" foi aprovado então aconteceu algo mágico que mudou minha vida e me fez escrever esse "caderno de anotações", fui aprovado no SISU para o curso de Nutrição.
Essa matrícula foi definitivamente a luz no final do túnel, a saída que eu estava necessitando, pois nao aguentava mais nem ir a aula, não queria mais sair de casa, não queria mais viver...
Hoje, dia 16/07/2018, eu posso afirmar, desde março estou feliz, sem nenhum tipo de estresse e com os professores que entendem minhas dificuldades e ajudam a resolvê-las, diferentemente do passado, agradeço muito a Deus por essa paz e a felicidade de estar em um lugar onde mesmo entrando e saindo sozinho eu me sinto em CASA.
Para mim a Nutrição foi como disse Will Smith no final do filme "Eu sou a Lenda",
Uma luz na escuridão...
Obrigado e sigam o Nutrition Hope para conversarmos e quem sabe em breve seu desabafo não estará aqui!